Tenho certeza de que esse fato sórdido e lastimável não ocorre somente aqui na Bahia-Salvador, mas acontece que é aqui onde moro e é na qual irei me basear para escrever as seguintes linhas. Infelizmente sou usuário, dependo do caótico sistema de transporte urbano para me locomover dentro desta cidade de merda, - diga-se de passagem, locomover-se com restrições -, pois não há ônibus suficientes para atender a toda a população e abranger com eficácia toda a região metropolitana da cidade, engarrafamentos “aneurismáticos”, acrescentando o fato que após as vinte e três horas, ou antes disso, saque o dinheiro da poupança para pagar um táxi "bandeira 6", arrisque-se num “pernoitão” que passa em todos os locais inclusive na beirada do inferno ou vá na "paleta" para casa, porque não tem mais ônibus e se tem, não param nos pontos, não entram nos lugares que deveriam entrar, fazem dos ônibus simuladores de Fórmula 1, etc.
Pois bem, o que tratarei aqui é sobre mais um comportamento de uma sociedade estigmatizada pela burrice e pautada no desrespeito ao semelhante. O fato de ter que pegar um ônibus (buzú), em Salvador chegou a se tornar algo psicasténico, pois além do que já foi citado, soma-se: o mau humor habitual dos usuários que vão para seus trabalhos como se fossem amputar uma perna, a impertinência muitas vezes provenientes dos altíssimos níveis de stress e más condições de trabalho dos motoristas e cobradores, cadeiras apertadas, desconfortáveis, ônibus sujos, fedorentos, tarifas altas e como se tudo isso não bastasse existem os gloriosos D.C. (Difusores de Cultura) - Não, não, não são funcionários da Prefeitura ou do Governo do Estado designados para tal função. São sujeitos (humanos) que nos auges de suas pretensões e ignorâncias conotativas exibem seus celulares, "mp48" e agora umas malditas caixas portáteis de som às alturas dentro do coletivo, como se todos os passageiros ali presentes ansiassem, pedissem, implorassem e optassem por ouvir toda aquela “desgraçativa” amostra de cultura local. Garotos no fundo do ônibus ouvem seus pagodes com melodias e letras que segundo alguns antropólogos, sociólogos e estudiosos graduados, mestrados e doutorados, representam a vivência de um povo (só se na comunidade onde eles vivem e nas faculdades que eles estudaram tem empresas com nome Buceta S/A e as mulheres às 05 da matina ralam suas tchecas no chão). Na frente do cobrador, outro sujeito (humano) escuta o que hoje eles costumam chamar de forró, já no meio do carro alguém apaixonado e romântico celebra sua viagem com um arrocha ou seresta e finalmente na frente, outro sujeito (humano) que se acha bem mais educado e concorda que tudo aquilo é uma tremenda baixaria exibe por meio de seu aparelho os clamores ao tadindo do Jesus. Isso sem contar quando os próprios funcionários (Cobrador e Motorista) não estão curtindo um sonzinho também nas alturas. E envolto em toda essa imundície sonora uma pergunta berra: CADÊ A PORRA DO FONE DE OUVIDO? Enfiou no cu? Só pode! Por que essa necessidade de mostrar seu "primoroso" gosto musical, de provar ter o aparelho mais potente que o do vizinho, desrespeitando a todos naquele ambiente? Será que não passam pelas cabeças dessas pessoas junto com o vento que circula lá dentro, que a maioria esmagadora ali presente não gostaria de estar escutando "aquilo", que queriam regressar, ir e vir tranquilamente para suas casas ou trabalhos, que isso irrita as pessoas e fere o seu direito de cidadão?
Há situações que não se consegue definir o que incomoda, irrita mais, se é "botar a buceta no pau", "tomar chupeta", algum “forró”, arrocha ou louvor a Jesus nas alturas. A vontade que se tem é de pedir que desliguem ou distribuir fones aos sujeitos (humanos). Não é radicalismo, mas deveria ser pensado numa lei em que proibisse aparelhos sonoros sem uso de fones dentro de ambientes coletivos, como ocorreu em Porto Alegre, onde lei aprovada pela Câmara de Vereadores no dia 22 de dezembro de 2011, vai combater essa prática através de campanhas educativas espalhadas pela cidade e multas que variam de R$ 43 a R$ 216 para quem quiser compartilhar seu gosto musical com os demais passageiros do coletivo. Como estamos no Brasil sabemos que se não mexer no bolso nada funciona e que mesmo assim a coisa não será aceita e será difícil de pôr em pratica - vide lei Lei Seca, atendimento nos Bancos, etc. Num país onde as leis não funcionam e a educação é mal educada, não há o que se esperar, mas continua sendo válido sonhar com uma civilização civilizada.
Existem fones à partir de R$3.00, mas essas pessoas preferem pagar o preço da estupidez, até que isso gere um conflito seguido de agressão e até morte por conta dessa incompreensão e violação da dignidade alheia. Exagero? Vai ler jornal!
Prezados sujeitos (humanos) - Difusores de Cultura, se ponham nos lugares de todos aqueles outros que vocês prejudicam, vocês gostariam de pegar um ônibus às 06 da manhã lotado, em pé, apertado, suado escutando Marduk; Sarcofago; Deicide; Rogério Skylab; Hate Eternal; Emperor; Judas Iscariot; Condutores de Cadáveres; Valdick Soriano; Damiao Experiença; Vicente Celestino; Morbid Angel; Raimundo Soldado, etc? Gostariam de estar com suas filhas pequenas indo passear ou voltando cansado depois de um dia de trabalho escutando Alice no País do L.S.D., Satan, Nocturnal Depression, Maldita, Titanomaquia, Disrupt, Bosta Rala; Carcass, Cannibal Corpse, Brujeria, Gangrena Gasosa, Ratos de Porão, Into the Corpse, Discarga, Olho Seco, etc? Gostariam? Tenho certeza que não. Mas eu sim e estou com meu fone, pois tenho educação e respeito ao próximo.


Infeto, você ainda estas pessoas de humanos? Eles nem animais são. Os animais, pelo menos, respeitam a área do outro. Bem que precisa de uma lei mesmo. Mas uma lei, para funcionar de verdade, depende de nós. A do cigarro dentro dos ônibus não funcionou? Não está funcionando nos restaurantes e locais fechados? A Lei só funciona se todo mundo respeitar. Não precisa nem de fiscalização, pois todo mundo se torna um fiscal. Abraços
ResponderExcluirCara, até que enfim alguém para externar a revolta que sinto com esse novo "fenômeno cultural"...sem maiores comentários.
ResponderExcluirPois é Eliabe, uma pena que isso de nada adiante, continuamos e continuaremos "todos" surdos, cegos e burros demais! ABraços
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